Razões da Emigração na Alemanha.

No século XIX, O Brasil contava com pouquíssimas cidades com alguma expressão como: Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Manaus, São Paulo e outros mais provincianos, era essencialmente extrativista, vivia da madeira, borracha, pedras preciosas, ouro e sonhava com o avanço da agricultura com as culturas de cana-de-açúcar e cacau. Tudo era movido a sangue, lágrimas e suor dos escravos. Com os movimentos abolicionistas cada vez mais fortes, O centro do poder passou a permitir e até incentivar a imigração de outros povos.
A Alemanha, ainda não existia como Federação, eram vários reinados, ducados e principados independentes, originados dos povos suevos, visigodos, vândalos, astrogodos, saxões, anglos, borúngios e alamanos, que se identificavam pela língua com seus vários dialetos. Lutero, ao traduzir a Bíblia para que estes povos pudessem lê-la, criou o idioma Alemão, por tanto, ao referirmos àqueles imigrantes, que vieram antes de 1871, falamos de “pessoas dos povos de fala alemã” ou “Laender”. Os passaportes até então, registravam a orígem das pessoas como sendo da Renânia, Hesse, Prússia, Pomerânia, Alsace e Lorena, etc. Até que naquele ano de 1871, Bismark formalizou a unificação criando a Alemanha.

Naquela época, aqueles povos sofreram com as guerras napoleônicas que causaram grande devastação e dificuldades com lavouras destruídas, casas em chamas, quase extermínio da população masculina jovem, abusos inimagináveis da soldadesca às mulheres indefesas, além das conseqüências da invenção da máquina a vapor, na Inglaterra, como o medo do desemprego em massa com a substituição da mão-de-obra pela máquina, a produção em série diminuindo as oportunidades dos mestres artesãos e os vários fatores locais de cada região, com destaque para a Prússia e Alsace, influindo na saída dos seus filhos.

Razões da imigração no Brasil

O meio político europeu conhecia o Brasil devido a arquiduquesa Leopoldina Carolina Josepha, filha do Imperador do Império Romano de Nações da língua alemã, Francisco II, também Imperador da Áustria, da casa dos Habsburgos, casada com o jovem Imperador D. Pedro I, da casa de Bragança.

Ela casou-se com D. Pedro, ainda príncipe, no dia 13 de maio de 1817, por procuração em Viena. Conforme descrições, Leopoldina não era bela, mas muito simpática, inteligente e cativante, conquistou os brasileiros e subiu muito no conceito deles.

O fato desta princesa germânica ser Imperatriz no Brasil, contribuiu enormemente para trazer o seu povo a buscar dias melhores nas terras brasileiras.

Razões da imigração no Vale do Mucuri.

Em 1847, Teófilo Benedicto Ottoni, projetou a Estrada Santa Clara, primeira estrada de rodagem do jovem Império, para ligar o Nordeste Mineiro com o litoral do Brasil, com início em São José do Porto Alegre, hoje cidade de Mucuri na Bahia até no Calhau velho, hoje, Araçuaí – MG.

Em 1851, Ele fundou a “ Companhia de Navegação do Mucuri” que tinha como objetivo social, o transporte fluvial e terrestre, localização e exploração de terras férteis da região com 23.220 Kms².

Organizou duas expedições para melhor conhecimento e avaliação daquele território coberto pela Mata Atlântica. A primeira partiu de Minas Nova – MG com o propósito de localizar o Rio Todos os Santos e segui-lo até sua foz no Rio Mucuri, e a outra partiu de São José do Porto Alegre – BA e rumou Mucuri acima até o Porto de Santa Clara na divisa com Minas Gerais. As duas fileiras, encontraram-se numa planicie na confluência do Ribeirão Santo Antonio com o Rio Todos os Santos, e na noite daquele dia, ao jantar, Teófilo Benedicto Ottoni informou aos seus bandeirantes, com palavras que remetiam ao movimento republicano dos Estados Unidos da América; “ Aqui fundarei a minha Nova filadélphia”. Nascia assim a nossa Teófilo Otoni.

A território desejado por Teófilo Benedicto Ottoni, está localizado no nordeste de Minas Gerais e era habitado originalmente pelos índios Botocudos, nome a eles atribuídos pelos portugueses, devido aos botoques auriculares e labiais, viviam da caça e da coleta na Mata Atlântica.

Os primeiros viajantes descreveram a Mata Atlântica como exótica, gigantesca, impenetrável e com incontáveis espécies de plantas de cores, formas e odores diferentes como: cambuás, Jaboticabas, ingás, guabirobas, bacuparis, orquídeas, bromélias, samambaias, palmeiras, pau-brasil, jacarandá, cabreuva, ipês, baraúna, peroba, tapicuru, palmito, assim como espécies que mesmo sombreadas produziam flores, frutos e sementes.

No chão da mata, grandes quantidades de fungos, sementes, cipós, urtigas, espinhos onde viviam sagüis, sauás, macaco-prego, guariba, cachorro-do-mato, guaxinins, coatis, gambás, tapiti, rato-do-mato, caxinguelê, cotia, paca, ouriço-cacheiro, cobras e felinos de todos os tamanhos.

Teófilo Ottoni sabia que era necessário povoar a região com lavradores livres, pois era contra a escravidão, e sua empresa “ Companhia do Mucuri” não possuía escravos. Por tanto, contratou a Firma   “SCHLOBACH & MORGENSTERN” de um dos países de língua alemã,  para recrutar, selecionar e transportar as famílias que teriam aqui, como colonos, amparo em todos os sentidos, por parte da Companhia Mucuri. Além de alemães vieram franceses, suíços, belgas, austríacos, holandeses e chineses das mais variadas profissões como: sapateiro, carpinteiro, ferreiro, oleiros, tecelões, seleiros, boticários, curtidores, padeiros, alfaiates, calceteiros, agrimensores, engenheiros, professores e pintores.

Mal chegados, decepcionados e amedrontados, os primeiros imigrantes tiveram que trabalhar na construção da Estrada Santa Clara, que só depois de acabada, em 1858, cada qual podia tomar posse da sua gleba de terra com 220 mts de frente e 3.300 mts de comprimento ( 15 alqueires ).

No entanto, a Companhia do Mucuri, faliu e foi encampada pelo governo, deixando o tão sonhado paraíso transformado em um cenário de desilusões, alcoolismo e fracassos econômicos superados lentamente pelos bravos imigrantes sobreviventes e seus descendentes.

A colonização do Vale do Mucuri, que teve a Colônia Militar do Urucu, hoje Epaminondas Otoni - MG, mais conhecida como Colônia, como um dos principais centros de apoio logístico, é uma triste história marcada pela mentira, abandono, violência, desprezo e miséria. D’ora avante cabe a nós, construir outra história a ser contada para e pelas novas gerações.


Fontes:
http://www.historiadomundo.com.br/germanica/ , Site História do Mundo, acessado 20/08/2011
http://www.colono.com.br/asp/entrada_historia.asp , Site da Imigração alemã, acessado 20/08/2011
http://www.rootsweb.ancestry.com/~brawgw/alemanha/Cronologia.htm , Site Genealogia brasileira, acessado 20/08/2011
MAX, Rothe , 100 anos de colonização alemã, 1956.

12 Responses so far.

  1. E onde posso encrontra a lista de imigrantes chegados a Filadelfia e Urucu?
    Sou descendente dos Neumann, Pfuhs de Filadelfia, dos Holandeses da Zeelandia Kale, Koole e Hogendoorp? Onde andam as listas de imigrantes da Cia do Mucury?
    Sam de Mattos
    No Facebook

  2. E onde posso encrontra a lista de imigrantes chegados a Filadelfia e Urucu?
    Sou descendente dos Neumann, Pfuhs de Filadelfia, dos Holandeses da Zeelandia Kale, Koole e Hogendoorp? Onde andam as listas de imigrantes da Cia do Mucury?
    Sam de Mattos
    No Facebook

  3. Michele says:

    Olá Sam de Mattos, já encontrou? Também estou procurando. Sou descendente dos Klaus, meus tataravós, que devem ter chegado crianças. Minha bisavó nasceu em 1873 em Teófilo Otoni, e seus pais eram nascidos na Alemanha.
    Michele Frantz

  4. Caro Sam, desculpe a demora em responder. Tenho buscado a referida lista sem sucesso. O que temos são listas de alguns navios que postei neste blog. Caso Eu consiga alguma novidade te informarei de imediato.

  5. claudiorhis says:

    Opa, como vão? Estou nesta procura,.... é dificil. Mas gostaria de saber onde posso encontrar alguma referencia da minha familia, o sobre no é RHIS. Desde já agradeço.

  6. Tia Bili says:

    Bom dia, o ponto de partida para quem busca alguns detalhes dos imigrantes é um livro único que está no acervo mineiro em BH chamado O Mucuri e o Nordeste Mineiro no passado e seu desenvolvimento do Frei Olavo.

  7. Claudio: Rhis eh holandes, creio que se radicaran no ES. ANda hoje via o livro OS CAPIXABAS HOLANDESES, ao meu lado. Deve-me ver:Creio que o nome origimal era Jan Van Der "Ree:, chegdado em Junho de 1858 com um grupo de 13 familias (162 pessoas) da Zelandia em Colonia Militar do Urucu (Perto de Teofilo Otoni); se forem mesmo os Ree os Rhis, O Pieter Van der Ree, veio Casado de N.H. Schouwen na Zelandia, Holanda, veio com 38 anos (em 1858) e casado com DINA ROKS e con 6 filhos, vieram dcom os Kaales, registrados erroneamente como KOOLES, que eram de uma cidade vizinha na Zelandia, ZONNEAIRE. Os KAALES e Kales estao no facebook, prosperam Sam de Mattos

  8. TIA BILL: Tive correspondencia intensa com o Frei Olavo Timmer e tenho ainda as cartas... Seu livo Tambem. Foi ele que fez o link de Mucuri - SHOUVEN e BIMMENEDE na Holanda. Grande homem. Dirigia seu jeep pelas estradas de barra e vereda ate os 93 anos. Era Holandes, Nos anos 60 ficou em sabatical um ano por la estudando a geneologia. Dicas: Contate a ASCETATO de TO (Associacao de descendentes alemaes e os livros - dgitalizados hoje- da igreja Luterara, de TO.

  9. TIA BILL: Tive correspondencia intensa com o Frei Olavo Timmer e tenho ainda as cartas... Seu livo Tambem. Foi ele que fez o link de Mucuri - SHOUVEN e BIMMENEDE na Holanda. Grande homem. Dirigia seu jeep pelas estradas de barra e vereda ate os 93 anos. Era Holandes, Nos anos 60 ficou em sabatical um ano por la estudando a geneologia. Dicas: Contate a ASCETATO de TO (Associacao de descendentes alemaes e os livros - dgitalizados hoje- da igreja Luterara, de TO.

  10. Claudio: Rhis eh holandes, creio que se radicaran no ES. ANda hoje via o livro OS CAPIXABAS HOLANDESES, ao meu lado. Deve-me ver:Creio que o nome origimal era Jan Van Der "Ree:, chegdado em Junho de 1858 com um grupo de 13 familias (162 pessoas) da Zelandia em Colonia Militar do Urucu (Perto de Teofilo Otoni); se forem mesmo os Ree os Rhis, O Pieter Van der Ree, veio Casado de N.H. Schouwen na Zelandia, Holanda, veio com 38 anos (em 1858) e casado com DINA ROKS e con 6 filhos, vieram dcom os Kaales, registrados erroneamente como KOOLES, que eram de uma cidade vizinha na Zelandia, ZONNEAIRE. Os KAALES e Kales estao no facebook, prosperam Sam de Mattos

  11. Estou fascinada com a busca de meus antepassados, que migraram para Teófilo otoni. Ainda não consegui a lista do navio em que vieram parte deles (sobrenome "KIND"), contudo, descobri a lista do navio "Sophia" de 11 de agosto de 1856, e descobri minha trisavó Amalie Agnes Ttilia Sommerlatt, filha do Christian Erdmann (Karl Otto) Sommerlatt, que teve a sua história tão bem escrita pelo autor desse blog. Muito grata!
    Para quem precisa da lista: http://www.germanyroots.com/passengerlists/index.php?lan=en&id_voyage=16473&event=33374&lit1=all&cat=2

  12. Boa noite Gislene, Agradeço pelo comentário e fico feliz por encontrar mais uma parente, pois eu também sou Sommerlatt. Favor me enviar seu e-mail para que eu possa te convidar a membro da nossa árvore genealógica, cujo link está no menu horizontal superior deste blog.

    Atenciosamente

    Jorge

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