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Bora, falar de compra de
fazenda!
A maioria das pessoas acha que
basta comprar a terra para ter sucesso garantido porque o velho ditado diz que
“quem compra terra não erra”. Na verdade, este ditado vale para o especulador,
que compra a terra para depois vender, pois o próprio histórico de valorização
da terra confirma que quem compra terra não erra. Mas quem trabalha a terra
pode errar. E pode errar feio. Existe muitos casos de fazendeiros, cujos erros culminaram
na perda da fazenda. Ou seja; pagaram muito caro para trabalhar. E a maioria,
trabalhou muito.
Então, um investimento deste
tamanho, que envolve tanto dinheiro, que é motivado por uma
infinidade de razões e que tem diferentes propósitos merece ser estudado tim-tim
por tim-tim para esclarecer os “porquês e os praquês”. Antes de colocar o Dim-dim.
Porque depois que o “suado” vai pro lugar errado, ai-ai-ai! A dor de cabeça é
grande.
Primeiro nós vamos garrar nos
porquês que começam pela já mencionada especulação, devido à boa valorização
da terra, a longo prazo! seguido pela esperança de gerar renda através das
atividades de agricultura, pecuária, arrendamento, aluguel, turismo rural,
mineração e preservação.
O terceiro porque é a diversificação dos
investimentos, normalmente, para quem tem muito dinheiro e não quer deixar todos
seus ovos numa sexta só. Além de que, fazenda é um bem de raiz, tangível,
administrado pelo dono com a sensação de segurança de quem tem a posse
propriamente dita. O que é muito diferente dos investimentos puramente
financeiros, onde você põe seu dinheiro e passa a ser um torcedor do mercado.
O quarto porque é a realização
de um sonho, de uma paixão pessoal por um estilo de vida
que envolve o trabalho com a terra, com animais e o bem-estar de viver em
contato com a natureza, desfrutando de mais espaço, várias atividades ao ar
livre e privacidade como alternativa para reduzir o estresse e melhorar a
qualidade de vida.
O quinto porque é dos
naturalistas que buscam a autossuficiência desejando produzir
a maioria dos alimentos e dos bens de suas necessidades básicas de forma
orgânica.
O hobby e o lazer
ocupam um espaço significativo nos porquês de comprar uma fazenda. Os
compradores desejam distrair com jardinagem, criação de animais, pesca, reunião
com amigos e passeios à cavalo. Na maioria das vezes, estes compradores não
medem esforços financeiros para a aquisição, para os investimentos em belezas e
muito menos para a manutenção da propriedade. E uma das bençãos da terra é
permitir tudo isto.
E finalmente, porque uma
fazenda é um patrimônio sólido e é
considerado um ótimo legado familiar a ser transmitido para as futuras gerações.
E abençoados são aqueles que têm a sorte de herdar uma fazenda.
Agora! Vamos destrinchar
os “para quês”;
Para quem já é fazendeiros e
conhece os pormenores do negócio a que se propõe, os “para quês” são: aumentar a produção, diversificar suas
culturas ou criações ou fazer a integração vertical que é aumentar o leque
atividades para agregar valor ao seu produto ou conquistar novos mercados.
Agora, principalmente para os
novos entrantes e que não são do ramo, é importante:
Determinar o “para quê” ou o objetivo
principal da exploração econômica da terra para procurar a região que tenha
aptidão para a atividade escolhida e consultar o plano diretor do município e
os órgãos competentes para garantir que o uso pretendido seja permitido
legalmente e não acarrete perda de tempo e nem de dinheiro.
Identificar as Áreas de
Preservação Permanente (APPs) e Reserva Legal cuja utilização, ou seja, o para quê,
de algumas atividades econômicas é muito limitada. A identificação dessas áreas
é crucial e pode ser feita através do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Em certas
condições, a área de APP pode ser computada dentro da área de Reserva Legal o
que já ajuda bastante.
Verificar a existência de
fontes de água na propriedade (rios, córregos, poços, nascentes) e os direitos
legais de uso desses recursos. É importante investigar se a propriedade possui
as devidas outorgas e se não há conflitos com vizinhos em relação ao uso da
água. A disponibilidade hídrica é um fator crítico para todas as atividades
rurais. Qualquer para quê, precisa de água.
Como técnico agropecuário, recomendo
fortemente a realização de uma análise de solo para determinar sua fertilidade,
composição e possível contaminação que possa afetar a adequação do terreno para
o uso pretendido que é o seu para quê. É que hoje, com o uso persistente de
herbicidas através de drones, devido a escassez de mão de obra para fazer
as capinas das lavouras e roçadas manuais das pastagens, é importante estar
atento à contaminação do solo, que podem impactar drasticamente a produtividade
e o valor da propriedade. Há casos de insucesso em lavouras devido ao uso de
estercos de origem bovina e equina cujos animais alimentaram em pastagens
contaminadas por resíduos de herbicidas.
Independentemente do seu para
quê, observar a qualidade das estradas de acesso e vias internas da propriedade,
a disponibilidade de energia elétrica e a qualidade do sinal de telefonia móvel
e internet é fundamental. Cuidado! Porque quando você tem que fazer, o preço da
infraestrutura no campo é muito alto.
Não deixe de avaliar a
topografia de toda a propriedade para evitar limitações, perdas, baixa
produtividade e custos excessivos devido relevo inapropriado para a atividade que
você pretende desenvolver. Cuidado com baixadas inundáveis! Elas enchem os
olhos da maioria dos compradores, na época da seca. Mas na verdade, quando não
são brejos tomados por taboa, são ótimas para capim cabeçudo que nada come, juremal
e juquira tolerante à umidade. Pastagem, Capineira e canavial que é bom,
costuma morrer tudo debaixo d’água. E riqueza adora
isso!
Preste atenção à localização
estratégica da propriedade rural, a preferência por proximidade de centros
urbanos para acesso a serviços, suprimentos, mão de obra e mercado consumidor, pode
aumentar o risco da marginalidade e o conselho é investigar as condições de
segurança na região para considerar a implementação de medidas de proteção na
propriedade.
Observe as condições da sede,
das cercas, cancelas, mata-burros, pontes, casas de cochos, galpões para
garagem e depósitos, casas para vaqueiros, tratoristas e auxiliares. Se estiverem
em péssimas condições, o custo de reformar costuma ser mais alto que o custo de
construir tudo novo.
Para os compradores de fazenda
que moram na cidade e que pretendam obter lucro com alguma atividade rural.
Cuidado com grandes sedes e muita estrutura desativada, preservadas como museu.
Mesmo não sendo usadas, costumam ter uma manutenção mais cara do que todas as
despesas com o resto da fazenda.
E para compradores que desejam
morar na fazenda e necessitam da renda dela, lembrem-se deste conselho de quem
envelheceu trabalhando muito e fazendo conta; Fazenda
bem cuidada é diferente de fazenda enfeitada. Evitem a perfumaria e o
embelezamento excessivo. Por traz de toda fazenda muito enfeitada, muito
bonitinha, com cercas todas pintadinhas, tem sempre uma empresa ou um diploma
de sucesso garantindo as despesas. Fora isso, quem enfeitar fazenda demais, tem
que se apegar com Deus para não precisar de uma placa de VENDE-SE.
E para finalizar; Não deixe de
consultar um bom corretor de imóveis especializado em fazendas nas regiões do
seu interesse. Eles sabem de todas as terras que estão à venda e das
diligências prévias legais para garantir uma transação segura como;
Verificação da Titularidade e
Registro do Imóvel
Documentos de identificação
válidos (RG e CPF Certidão de Casamento)
O Contrato Social da empresa e
Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ)
Certidões Negativas de Débitos
(CNDs federal, estadual e municipal), Justiça do Trabalho e outros órgãos.
Certidão de Quitação do
Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR):
Certificado de Cadastro de
Imóvel Rural (CCIR do INCRA).
Cadastro Ambiental Rural (CAR)
incluindo áreas de preservação permanente (APPs) e a Reserva Legal.
Identificação de Ônus,
Gravames e Litígios Judiciais.
Fique atento, o corretor é como
uma vitrine, que te mostra as alternativas disponíveis e um despachante
competente para as diligências legais, mas não é seu consultor para indicar o
que você deve comprar. A escolha e a decisão são sua, assim como toda a
responsabilidade nos pós compra.
E o melhor é que o corretor
não te custa nada. Afinal, a comissão será paga pelo vendedor.
. E
para reflexão:
Na hora da compra,
não tenha pressa. Seja exigente, procure até encontrar o que você realmente
deseja e que atenda suas necessidades; Lembre-se; Tudo que você quer comprar,
tem alguém querendo vender.
Namastê. E até o próximo post.
